O teatro épico é produto do forte desenvolvimento teatral na Rússia, após a Revolução Russa de 1917, e na Alemanha, durante o período da República de Weimar, tendo como seus principais iniciadores o diretor russo Meyerhold e o diretor teatral alemão Erwin Piscator. Nesse tempo, as cenas épicas alemãs recebiam o nome de cena Piscator, dado o extensivo uso de cartazes e projeções de filmes nas peças dirigidas por Piscator. No entanto, o grande propagandista do teatro épico foi Bertolt Brecht.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Texto Dramatico
O texto dramático é um tipo
de texto que é escrito para ser representado. Normalmente não tem narrador e
nele predomina o discurso na segunda pessoa (tu/vós). Além deste tipo de
discurso, o tecto dramático pressupõe o recurso à linguagem gestual, à
sonoplastia e à luminotécnica.
É composto por dois tipos de
texto:
- Texto
principal, as falas dos actores. É
constituído por
• Monólogo – uma personagem, falando consigo
mesma, expõe perante o público os seus pensamentos e/ou sentimentos;
• Diálogo – falas entre duas ou mais personagens;
• Apartes – comentários de uma personagem para o público, pressupondo que não são ouvidos pelo seu interlocutor.
• Diálogo – falas entre duas ou mais personagens;
• Apartes – comentários de uma personagem para o público, pressupondo que não são ouvidos pelo seu interlocutor.
- Texto secundário
(ou didascálias, ou indicações cénicas) destina-se ao leitor, ao encenador da
peça ou aos actores.
O texto secundário é composto:
- pela listagem inicial das
personagens;
- pela indicação do nome das personagens no início de
cada fala;
- pelas informações sobre a estrutura externa da peça
(divisão em actos, cenas ou quadros);
- pelas indicações sobre o cenário e guarda roupa das
personagens;
- pelas indicações sobre a movimentação das personagens
em palco, as atitudes que devem tomar, os gestos que devem fazer ou a entoação
de voz com que devem proferir as palavras;
ESTRUTURA INTERNA E
EXTERNA
Estrutura externa – o teatro tradicional e
clássico pressupunha divisões em actos,
correspondentes à mudança de cenários, e em cenas , equivalentes à mudança de personagens
em cena.
O teatro moderno, narrativo
ou épico, põe de parte estas regras tradicionais de divisão na estrutura
externa.
Estrutura interna – uma peça de teatro
divide-se em:
• Exposição – apresentação das personagens e dos
antecedentes da acção.
• Conflito – conjunto de peripécias que fazem a
acção progredir.
• Desenlace – desfecho da acção
dramática.
PERSONAGENS
Classificação quanto à sua
concepção:
- Planas ou personagens-tipo – não alteram o seu
comportamento ao longo da acção. Representam um grupo social, profissional ou
psicológico);
- Modeladas ou Redondas – evoluem ao longo da acção, as suas
atitudes e comportamentos vão-se alterando e, por isso mesmo, podem surpreender
o espectador.
Classificação quanto ao
relevo:
- protagonista ou personagem principal
- personagens secundárias
- figurantes
- personagens secundárias
- figurantes
Tipos de
caracterização:
• Directa – a partir dos elementos presentes nas
didascálias, da descrição de aspectos físicos e psicológicos, das palavras de
outras personagens, das palavras da personagem a propósito de si
própria.
• Indirecta – a partir dos comportamentos,
atitudes e gestos que levam o espectador a tirar as suas próprias conclusões
sobre as características das personagens.
ESPAÇO
Espaço – o espaço cénico é
caracterizado nas didascálias, onde surgem indicações sobre pormenores do
cenário, efeitos de luz e som. Coexistem normalmente dois tipos de
espaço:
• Espaço representado – constituído pelos cenários onde
se desenrola a acção e que equivalem ao espaço físico que se pretende recriar em
palco;
• Espaço aludido – corresponde às referências a outros
espaços que não o representado.
TEMPO
• Tempo da representação –
duração do conflito em palco;
• Tempo da acção ou da história – o(s) ano(s) ou a
época em que se desenrola o conflito dramático;
• Tempo da escrita ou da produção da obra – altura em
que o autor concebeu a peça.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Obra de Sttau Monteiro
Sttau Monteiro começa, então, uma carreira
como jornalista, colaborando em várias publicações, de que se destaca a sua
participação na revista Almanaque, onde também eram redactores Augusto
Abelaira, José Cutileiro, Alexandre O’Neil, Vasco Pulido Valente e José Cardoso
Pires. Relevante foi ainda o seu desempenho no Diário de Lisboa, matutino
onde coordenou o suplemento "A Mosca", nos anos 70 do século XX, com a
colaboração de Joaquim Letria, José Cutileiro, Mário Castrim e João Abel Manta,
entre outros. Foi de igual modo nesse quotidiano que publicou as suas crónicas
gastronómicas intituladas «A Melga no Prato».
Publica a peça de teatro Felizmente Há
Luar!, obra que, sob influência do teatro de Brecht, e recuperando
acontecimentos anteriores (inícios do séc. XIX) da história portuguesa,
procurava fazer uma denúncia da situação sua contemporânea. Por isso, a censura
proibiu a sua representação.
No entanto, essa proibição não impediu que
fossem vendidos 160 mil exemplares da peça, o que resultou num êxito editorial
estrondoso.
Mais um texto dramático sai a público:
Auto da Barca do Motor fora da Borda - uma paráfrase moderna do teatro
vicentino. Foi proibido pela censura.
Nesse mesmo ano é editada a novela E se
for Rapariga Chama-se Custódia.
Entretanto, a primeira exibição de
Felizmente Há Luar!, em antestreia, aconteceu na sede do Club
Franco-Portuguais de la Jeunesse de Paris, no dia 1 de Março de 1969, e a
estreia, no dia 30 desse mesmo mês, no Théatre de l’ Ouest Parisien, levada à
cena pelo Teatro-Oficina Português.
Vida de Sttau Monteiro
Luís Infante de Lacerda de Sttau Monteiro
nasce em Lisboa, filho de Lúcia Rebelo Cancela Infante de Lacerda (1903-1980)
e Armindo Rodrigues de Sttau Monteiro (1896 – 1955), e procura construir a sua
vida tendo como «única coisa sagrada ser livre como o
vento».
Com 10 anos de idade, parte para Londres,
acompanhando o pai, Armindo Monteiro, que vai exercer as funções de embaixador
de Portugal. O tempo que passou na capital inglesa possibilitou-lhe acompanhar
de perto, e num palco privilegiado, o desenrolar da II Guerra Mundial, bem como
um contacto mais próximo com alguns movimentos de vanguarda da literatura
anglo-saxónica, contacto esse que irá influenciar significativamente a sua
formação cívica e literária.
Realiza os seus estudos liceais num colégio
particular e, mais tarde, no Liceu Pedro Nunes.
Apesar de gostar de Matemática, acaba por
optar por uma licenciatura em Direito, na Universidade de Lisboa, exercendo,
depois, durante dois anos, a advocacia.segunda-feira, 12 de novembro de 2012
MENSAGEM de Fernando Pessoa; Terceira Parte- O ENCOBERTO
NEVOEIRO
Nem rei nem lei, nem
paz nem guerra,
define com perfil e
ser
este fulgor baço da
terra
que é Portugal a
entristecer –
brilho sem luz e sem
arder,
como o que o
fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa
quere,
Ninguém conhece que alma tem,
nem o que é mal nem o que é bem.
Ninguém conhece que alma tem,
nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ância distante
perto chora?)
Tudo é incerto e
derradeiro.
Tudo é disperso, nada
é inteiro.
Ó Portugal, hoje és
nevoeiro...
É a
Hora!
Análise:
Neste poema, o último de
Mensagem, Fernando Pessoa transmite uma imagem desencantada da realidade do
Portugal dos seus dias... mas para concluir que essa situação é, afinal, o
nevoeiro de que falam as profecias e que marcará o regresso de D.Sebastião. A
conclusão de que o nevoeiro que se esperava não é, afinal, literal (físico) mas
antes simbólico (social e político) permite-lhe acabar o Poema com uma "volta"
final ao gritar: "É a Hora!".
O ENCOBERTO
Que symbolo
fecundo
Vem na aurora
anciosa?
Na Cruz Morta do
Mundo
A Vida, que é a
Rosa.
Que symbolo
divino
Traz o dia já
visto?
Na Cruz, que é o
Destino,
A Rosa, que é o
Christo.
Que symbolo
final
Mostra o sol já
disperto?
Na Cruz morta e
fatal
A Rosa do Encoberto.
Análise:
Este curioso poema é uma
sucessão de referências cruzadas à mística rosicruciana. Os Rosa-Cruz foram
(são?) uma sociedade secreta cujas origens provavelmente remontam ao século
XVII. Os interessados poderão ler um texto sobre os Rosa-Cruz. Parece que
originalmente seria um grupo secreto de homens cultos e superiormente
desinteressados que sonhavam controlar os destinos da humanidade de maneira a
assegurar o advento de um mundo pacífico e feliz (na prática, uma variante da
noção do Quinto Império). As diversas cisões e criação de sociedades sob o mesmo
nome obliteraram as pistas quanto à permanência real de uma sociedade secreta
que represente a presença actual de uma herança multisecular
ininterrupta.
Existem várias interpretações da simbologia da Rosa e da Cruz. Uma, que convém a este poema, é de que a Rosa é uma representação do círculo e está associada a ideais de perfeição que são metas, enquanto que a Cruz representa, por exemplo, as atribulações que há a ultrapassar ou vencer para as atingir.
Existem várias interpretações da simbologia da Rosa e da Cruz. Uma, que convém a este poema, é de que a Rosa é uma representação do círculo e está associada a ideais de perfeição que são metas, enquanto que a Cruz representa, por exemplo, as atribulações que há a ultrapassar ou vencer para as atingir.
MENSAGEM de Fernando Pessoa; Segunda Parte- MAR PORTUGUEZ
O INFANTE
Deus quere, o homem
sonha, a obra nasce.
Deus quiz que a terra
fosse toda uma,
Que o mar unisse, já
não separasse.
Sagrou-te, e foste
desvendando a espuma,
E a orla branca foi de
ilha em continente,
Clareou, correndo, até
ao fim do mundo,
E viu-se a terra
inteira, de repente,
Surgir, redonda, do
azul profundo.
Quem te sagrou
creou-te portuguez.
Do mar e nós em ti nos
deu signal.
Cumpriu-se o Mar, e o
Império se desfez.
Senhor, falta
cumprir-se Portugal!
Análise:"Foste desvendando a espuma
e a orla branca foi de ilha em continente..."- a espuma das ondas que acabam nas
praias ou rebentam contra os rochedos marca as costas com uma orla branca. A
frase anterior é uma forma poética de dizer que as costas foram sendo
descobertas, primeiro as ilhas e depois os continentes, "até ao fim do
mundo".
"Quem te sagrou criou-te português"- porque, segundo Fernando Pessoa, Deus fadou Portugal para um magno destino e o Infante foi, por assim dizer, parte do "puzzle".
"Do mar e nós, em ti nos deu sinal"- através de ti revelou-nos que o nosso destino era o Mar.
"Cumpriu-se o Mar e o Império se desfez...falta cumprir-se Portugal"- cumpriu-se o destinado: o Mar foi desvendado; o Império Português (isto é, o controle das rotas oceânicas e a hegemonia no Índico) desfez-se. Pessoa pensa que Portugal está destinado à grandeza futura, e isso ainda não se cumpriu!
"Quem te sagrou criou-te português"- porque, segundo Fernando Pessoa, Deus fadou Portugal para um magno destino e o Infante foi, por assim dizer, parte do "puzzle".
"Do mar e nós, em ti nos deu sinal"- através de ti revelou-nos que o nosso destino era o Mar.
"Cumpriu-se o Mar e o Império se desfez...falta cumprir-se Portugal"- cumpriu-se o destinado: o Mar foi desvendado; o Império Português (isto é, o controle das rotas oceânicas e a hegemonia no Índico) desfez-se. Pessoa pensa que Portugal está destinado à grandeza futura, e isso ainda não se cumpriu!
O MOSTRENGO
O mostrengo que está
no fim do mar
Na noite de breu
ergueu-se a voar;
À roda da nau voou
trez vezes,
Voou trez vezes a
chiar,
E disse: «Quem é que
ousou entrar
Nas minhas cavernas
que não desvendo,
Meus tectos negros do
fim do mundo?»
E o homem do leme
disse, tremendo:
«El-rei D. João
Segundo!»
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou trez vezes,
Trez vezes rodou immundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do
mar sem fundo?»
o homem do leme
tremeu, e disse:
«El-rei D. João
Segundo!»
Trez vezes do leme as
mãos ergueu,
Trez vezes ao leme as
reprendeu,
E disse no fim de
tremer trez vezes:
«Aqui ao leme sou mais
do que eu:
Sou um povo que quere
o mar que é teu;
E mais que o
mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do
fim do mundo,
Manda a vontade, que
me ata ao leme,
D' El-rei D. João
Segundo!»
Análise:Este é um dos poemas mais
conhecidos de Mensagem. Aquando das suas duas primeiras publicações chamava-se
"O Morcego" e referia "o morcego que está no fim do mar..." mas o ser simbólico
foi dignificado pela transformação em mostrengo na revisão anterior à edição de
Mensagem em livro.
O poema simboliza, claro está, o medo do desconhecido (o "mostrengo") que os navegadores portugueses tiveram que vencer. A causa próxima dessa coragem é, segundo Fernando Pessoa, as ordens do rei D.João II. Existe uma razão para isso: quando Gil Eanes voltou de uma tentativa falhada de dobrar o Cabo Bojador, o Infante mandou-o voltar para tentar novamente e o navegador venceu o temor para não desagradar ao seu bondoso patrono. Mas com D.João II o trato era diferente porque ele era o tipo de homem que não admitia que aqueles em quem confiara falhassem- os comandantes preferiam enfrentar todos os dragões do mar à fúria do seu senhor e por isso o poema encerra também uma ironia- a natureza da "vontade" que ata o homem do leme à rota é que o temor do seu rei é maior do que o terror do mar ignoto!
O poema simboliza, claro está, o medo do desconhecido (o "mostrengo") que os navegadores portugueses tiveram que vencer. A causa próxima dessa coragem é, segundo Fernando Pessoa, as ordens do rei D.João II. Existe uma razão para isso: quando Gil Eanes voltou de uma tentativa falhada de dobrar o Cabo Bojador, o Infante mandou-o voltar para tentar novamente e o navegador venceu o temor para não desagradar ao seu bondoso patrono. Mas com D.João II o trato era diferente porque ele era o tipo de homem que não admitia que aqueles em quem confiara falhassem- os comandantes preferiam enfrentar todos os dragões do mar à fúria do seu senhor e por isso o poema encerra também uma ironia- a natureza da "vontade" que ata o homem do leme à rota é que o temor do seu rei é maior do que o terror do mar ignoto!
Subscrever:
Mensagens (Atom)

